Alerta de segurança · AR-2026-005

Média AR-2026-005

Request Tracker e RTIR: XSS armazenado nos tickets

Três falhas de cross-site scripting armazenado no Request Tracker (RT) e no RT for Incident Response (RTIR), com CVSS 5.3 (v4.0), permitem que um remetente de e-mail não autenticado insira script em um ticket que roda na sessão de quem o visualiza. A CERT Polska divulgou as falhas em 30 de outubro de 2026; a correção está em RT 5.0.11 e 6.0.4 e em RTIR 6.0.4, publicadas em 29 de outubro de 2026.

CVE
CVE-2026-105454 · CVE-2026-105455 · CVE-2026-105456
Severidade
Média · CVSS 5.3 (v4.0)
Vetor CVSS
AV:N/AC:L/AT:N/PR:N/UI:P/VC:L/VI:L/VA:N/SC:L/SI:L/SA:N
Produto
Request Tracker · RTIR (Best Practical)
Exploração
Não divulgada; fora do KEV
Correção
RT 5.0.11 e 6.0.4 · RTIR 6.0.4
Publicado
3 de novembro de 2026
Última revisão
3 de novembro de 2026

Ação imediata

Identifique instâncias de RT e RTIR e atualize para RT 5.0.11 ou 6.0.4 e RTIR 6.0.4. Enquanto a atualização não for aplicada, restrinja quem pode criar ou responder tickets por e-mail nas filas abertas ao público.

  • Confirme a versão efetiva do RT e do RTIR, não apenas o pacote disponível no repositório.
  • Revise os direitos de Everyone: CreateTicket, ReplyToTicket e, no RTIR, a criação de Incident Reports.
  • Se houver suspeita de exploração, trate as sessões dos analistas como comprometidas e revise as ações registradas nos tickets.

Resumo

O Request Tracker (RT) é um sistema de tickets de código aberto da Best Practical Solutions. O RT for Incident Response (RTIR) é a extensão usada por equipes de resposta a incidentes e CSIRTs para receber relatos, abrir incidentes e acompanhar casos. Em 30 de outubro de 2026, a CERT Polska publicou três falhas de XSS armazenado nesses produtos, encontradas em pesquisa própria por Mateusz Szymaniec:

  • CVE-2026-105454 — no RT, a criação automática de links para URLs em conteúdo HTML de ticket não escapa a URL inserida no link.
  • CVE-2026-105455 — no RTIR, os formulários de divisão de ticket e de criação de incidente exibem o assunto do ticket relacionado sem escape.
  • CVE-2026-105456 — no RTIR, a extensão do filtro de HTML do RT libera qualquer link que contenha o marcador de link interno, inclusive links com o esquema javascript:.

Nos três casos, o atacante não precisa de conta: basta enviar uma mensagem para uma fila que aceite tickets de remetentes externos — configuração comum em filas que recebem e-mail do público e padrão no RTIR para relatos de incidente. O script executa no navegador de quem abre o ticket e age com os privilégios dessa pessoa, que normalmente é um analista de segurança.

A correção foi publicada em 29 de outubro de 2026, nas versões RT 5.0.11, RT 6.0.4 e RTIR 6.0.4. O NVD ainda não concluiu a análise dos três registros. Até 3 de novembro de 2026, nenhuma das três falhas constava no catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da CISA, e o EPSS estava abaixo de 0,5%.

Por que este alerta é prioritário

  • O vetor não exige autenticação e usa o canal de entrada de e-mail, que costuma ser aberto justamente para receber relatos externos.
  • Nas falhas CVE-2026-105454 e CVE-2026-105455, o script roda quando o ticket ou o formulário é exibido, sem clique — o CVSS v4.0 classifica a interação como passiva (UI:P).
  • O CVE-2026-105456 vale para a instância inteira do RT, e não apenas para as filas do RTIR, alcançando qualquer pessoa que possa inserir HTML em um ticket.
  • A sessão comprometida é a de um analista de incidentes: ela costuma ter acesso a tickets sigilosos, dados de outras instituições e funções administrativas.
  • A pontuação de 5,3 mede o impacto técnico, não o contexto. Em um sistema que concentra o tratamento de incidentes, a mesma falha pode expor relatos sensíveis e permitir ações em nome da equipe.

Gravidade e exposição

Métrica Valor Leitura
CVSS v4.0 5.3 · Média Impacto baixo em confidencialidade e integridade, sem impacto em disponibilidade; sem privilégios e com interação passiva.
Vetor AV:N/AC:L/AT:N/PR:N/UI:P/VC:L/VI:L/VA:N/SC:L/SI:L/SA:N Rede, baixa complexidade, sem pré-requisitos de ataque, sem privilégios, interação passiva; o escopo alcança componentes além do vulnerável.
Classificação CWE-79 Neutralização imprópria de entrada na geração de página web (cross-site scripting).
Impacto Execução de script na sessão da vítima Ação em nome do usuário autenticado, leitura de conteúdo visível e alteração de tickets conforme os direitos da conta.
Alcance RT 5.0 e 6.0 · RTIR 5.0 e 6.0 Instalações self-managed. Serviços hospedados só entram se usarem versão anterior à corrigida.
EPSS 0,44% · 0,41% · 0,45% Percentis 37,9, 35,3 e 39,2 em 3 de novembro de 2026; probabilidade baixa de exploração nos próximos 30 dias.
CISA KEV Não incluído Catálogo 2026.10.30; não há confirmação pública de exploração em ambiente real.

Status de exploração: até 3 de novembro de 2026, não há relato público de exploração em ambiente real nem PoC citado nas fontes consultadas. A ausência de confirmação não indica segurança: a falha é acionada por e-mail e não depende de interação ativa da vítima em dois dos três casos.

O risco se concentra em instalações que recebem e-mail de fora — filas com CreateTicket ou ReplyToTicket liberados para Everyone e, no RTIR, a fila de Incident Reports, aberta a todos por padrão. Instalações fechadas, em que só usuários autenticados criam tickets, reduzem o alcance mas não eliminam a falha: qualquer pessoa que consiga inserir HTML em um ticket pode armazenar o payload.

Detalhes técnicos

O RT mantém o histórico de cada ticket e permite conteúdo em HTML. Ao exibir esse conteúdo, o RT converte URLs em links automaticamente. Na CVE-2026-105454, a URL usada para montar o atributo href não passa por escape de HTML: uma URL construída para encerrar o atributo pode inserir novos elementos, incluindo um script. O conteúdo é gravado no ticket e executado sempre que o histórico é aberto, sem ação adicional de quem visualiza.

No CVE-2026-105455, o problema está nos formulários do RTIR. Ao dividir um ticket ou ao criar um incidente a partir de um relato, o formulário mostra o assunto do ticket relacionado sem escape de HTML. Como o RTIR concede a Everyone o direito de criar Incident Reports por padrão, o assunto pode ser definido por um remetente de e-mail não autenticado. O script roda na sessão do analista que abre o formulário.

O CVE-2026-105456 é uma falha na extensão que o RTIR faz no filtro de HTML do RT. O RTIR permite um marcador para links internos, e a regra aceita qualquer link que apenas contenha esse marcador — inclusive com o esquema javascript:, que executa código ao ser clicado. A regra alterada vale para a instância inteira do RT depois que o RTIR é instalado, não só para as filas do RTIR. Nesse caso, a execução depende do clique no link.

Os três registros usam o mesmo vetor CVSS v4.0, com VC:L/VI:L e escopo alterado (SC:L/SI:L): o impacto direto é baixo, mas o script pode agir sobre outros componentes da aplicação com os direitos do usuário autenticado. A causa raiz é a mesma família de erro — saída de conteúdo sem escape contextual — em três pontos diferentes do RT e do RTIR.

A mesma atualização corrige outras falhas de segurança no RT e no RTIR, incluindo bypass de autorização, CSRF e divulgação de informação por URL de feed. Quem atualiza para corrigir estes XSS recebe também essas correções; os detalhes estão nas notas de versão.

Versões afetadas e correção

Produto Versões afetadas Versão corrigida CVE
Request Tracker (RT) 5.0 ≥ 5.0.0 e < 5.0.11 5.0.11 CVE-2026-105454
Request Tracker (RT) 6.0 ≥ 6.0.0 e < 6.0.4 6.0.4 CVE-2026-105454
RTIR 5.0 ≥ 5.0.0 e < 5.0.11 5.0.11 CVE-2026-105456
RTIR 6.0 ≥ 6.0.0 e < 6.0.4 6.0.4 CVE-2026-105455 e CVE-2026-105456

O CVE-2026-105455 não afeta o RTIR 5.0. As notas do RTIR 6.0.4 recomendam atualizar o RT para 6.0.4 junto com o RTIR, para compatibilidade e para receber as correções do RT. A tabela de versões afetadas do advisory da CERT Polska usa a forma “de 5.0.0 a 5.0.11”; a versão 5.0.11 é a corrigida e não deve ser tratada como vulnerável.

Como verificar

Confirme a versão do RT e do RTIR na instalação:

perl -MRT -e 'print "$RT::VERSION\n"'

grep -m1 'VERSION' /opt/rt/lib/RT/IR.pm

Ajuste o caminho do RTIR conforme a instalação. Ambientes com empacotamento próprio devem conferir a versão do pacote e o changelog do mantenedor: a correção pode ter sido aplicada por backport sem mudança no número principal.

Detecção

Não há evento isolado que identifique a exploração. A detecção combina a busca por conteúdo HTML suspeito nos tickets com a revisão das ações executadas nas sessões dos usuários, sobretudo contas com privilégios administrativos.

Conteúdo dos tickets

Procure transações que contenham scripts, manipuladores de evento ou o esquema javascript: em atributos. O RT guarda o conteúdo das mensagens na tabela Attachments; ajuste o filtro de data e limite o resultado para não sobrecarregar a base:

SELECT id, Ticket, Subject, Created
FROM Attachments
WHERE Created > now() - interval '30 days'
  AND (Content ILIKE '%<script%'
       OR Content ILIKE '%javascript:%'
       OR Content ILIKE '%onerror=%')
ORDER BY Created DESC
LIMIT 200;

O resultado é uma pista, não uma prova: mensagens legítimas podem citar trechos de código, relatos de phishing ou amostras de ataque. Confirme o contexto, o remetente e o que o ticket continha antes de tratar como exploração.

Sessões e ações

  • Revise o histórico de transações de tickets criados por e-mail externo, com atenção a mudanças de proprietário, fila, prioridade ou status feitas por contas que não costumam atuar naquele ticket.
  • Verifique criação de usuários, alteração de direitos, mudança de configuração e exportação de dados nas contas com privilégios elevados.
  • Correlacione o horário de abertura de tickets suspeitos com acessos ao RT nos logs do proxy reverso e com autenticações fora do padrão.
  • No RTIR, priorize a fila de Incident Reports e os formulários de divisão de ticket, que são o caminho de entrada descrito pelos pesquisadores.

A presença de um e-mail com HTML em uma fila pública não é prova de exploração, e a ausência de alerta do antivírus ou do gateway não prova que o conteúdo era seguro: o payload é HTML interpretado pelo navegador, não um anexo executável.

Recomendações

  1. Inventarie as instalações de RT e RTIR. Inclua instâncias internas, ambientes de teste, cópias restauradas de backup e serviços usados por equipes de resposta a incidentes.
  2. Atualize para RT 5.0.11 ou 6.0.4 e RTIR 6.0.4 (ou RTIR 5.0.11 na linha 5.0). Siga as notas de versão e faça backup antes; a atualização do RTIR 6.0 acompanha a do RT 6.0.
  3. Revise os direitos de Everyone. Restrinja CreateTicket e ReplyToTicket nas filas que não precisam aceitar e-mail externo e revise as filas do RTIR abertas a relatos públicos.
  4. Reduza a superfície de entrada. Onde possível, limite quem pode enviar e-mail para as filas e prefira autenticação de remetente para tickets internos.
  5. Defesa em camadas no navegador. Uma política de segurança de conteúdo (CSP) restritiva no proxy reverso reduz a execução de script injetado, mas exige teste: o RT usa JavaScript próprio e pode precisar de exceções.
  6. Faça hunting retroativo. Revise os últimos 30 dias de tickets com HTML suspeito e as ações de contas administrativas no período.
  7. Proteja as sessões dos analistas. Exija contas individuais, sem compartilhamento, com o menor privilégio necessário, e mantenha o hábito de abrir tickets de remetentes desconhecidos em uma sessão sem privilégios administrativos.
  8. Não confunda correção com limpeza. Atualizar remove a falha, mas não desfaz ações executadas por um script que já tenha rodado. Em caso de suspeita, trate como incidente e siga a seção de resposta.

Mitigação temporária

A atualização é a correção

Não há configuração do RT ou do RTIR que substitua a atualização. As medidas abaixo reduzem o alcance de uma exploração enquanto o patch não é aplicado, mas não corrigem o escape ausente.

Medida Efeito Limite
Atualizar para 5.0.11 ou 6.0.4 e RTIR 6.0.4 Corrige as três falhas. Única correção completa; exige verificar a versão efetiva.
Restringir Everyone nas filas Fecha o caminho de entrada por e-mail não autenticado. Não impede usuários autenticados de armazenar payload; pode quebrar recebimento de relatos externos.
Bloquear HTML no e-mail de entrada Reduz a entrega de payload em conteúdo de ticket. Depende de configuração de MTA ou gateway; não cobre conteúdo colado na interface.
CSP restritiva no proxy reverso Pode impedir a execução de script inline injetado. Exige ajuste e teste; não substitui a correção e não cobre todos os navegadores ou fluxos.
Separar contas administrativas das de triagem Limita o impacto quando a sessão de triagem é comprometida. Reduz consequência, não a falha; depende de disciplina operacional.

Resposta a incidentes

Se houver indício de que um ticket executou script, trate as sessões dos usuários que abriram o ticket como potencialmente comprometidas. Atualizar o sistema não invalida ações já executadas nem sessões já sequestradas.

  1. Contenha: preserve o ticket, as transações e os cabeçalhos da mensagem original; identifique todos os usuários que visualizaram o conteúdo suspeito.
  2. Investigue: reconstrua a linha do tempo entre a criação do ticket e as ações das contas expostas; revise transações, criação de usuários, mudanças de direitos e exportações.
  3. Eradique: aplique a versão corrigida, remova o conteúdo malicioso dos tickets e encerre as sessões ativas das contas afetadas.
  4. Recupere: redefina senhas e tokens das contas expostas, valide as configurações de direitos e acompanhe acessos anômalos após o retorno.
  5. Notifique: acione o SOC da GigaCandanga e os canais oficiais (CTIR Gov, CERT.br). Avalie obrigações de notificação de incidente e de proteção de dados pessoais, inclusive sob a LGPD, se relatos de terceiros tiverem sido expostos.

Referências

Links externos abrem em nova aba. Consulte sempre a fonte oficial para o status mais recente.

Outras fontes de consulta para resposta e investigação estão em Links úteis.

Revisão

Revisão 1.0 — 3 de novembro de 2026 — Publicação inicial. Fontes consultadas até 3 de novembro de 2026: advisory da CERT Polska, registros do CVE Program, notas de versão do RT 5.0.11 e 6.0.4 e do RTIR 6.0.4, NVD, CISA KEV e EPSS. O NVD ainda não publicou análise própria; a pontuação usada é a do CNA.

Este alerta consolida informações públicas e tem caráter informativo. Não substitui os comunicados oficiais dos fornecedores nem a avaliação da equipe responsável por cada ambiente. Teste as ações em ambiente controlado antes de aplicá-las em produção.

Última atualização: 3 de novembro de 2026.